Tiago, chamado o Maior para distingui-lo do outro apóstolo do mesmo nome, era filho de Zebedeu e irmão de João Evangelista. Pescador da Galileia, trabalhava com o pai e o irmão nas barcas do lago de Genesaré. Foi chamado por Jesus juntamente com João enquanto consertavam as redes; e os dois, deixando imediatamente o barco e o pai, seguiram o Senhor (Mateus 4,21-22). Pelo seu temperamento ardente, ele e o irmão receberam de Jesus o sobrenome de "Boanerges", isto é, "filhos do trovão" (Marcos 3,17).
Tiago pertenceu ao grupo mais íntimo dos discípulos, ao lado de Pedro e de João, sendo admitido aos momentos mais reveladores da vida de Jesus. Esteve presente na ressurreição da filha de Jairo, testemunhando o poder de Cristo sobre a morte; subiu ao monte da Transfiguração, onde viu a glória do Senhor manifestar-se diante de Moisés e Elias; e foi chamado a velar com Jesus na agonia do Getsêmani. Essa proximidade fez dele uma das colunas escolhidas para sustentar a fé dos demais.
Sua caminhada também conheceu purificações. Quando ele e João pediram para sentar-se à direita e à esquerda de Jesus em sua glória, o Senhor respondeu: "Podeis beber o cálice que eu vou beber?" (Marcos 10,38). Eles afirmaram que sim, e Jesus profetizou que de fato beberiam do seu cálice. A ambição inicial foi transformada, pela graça, em entrega total. Esse mesmo Tiago que sonhara com um lugar de honra aprendeu que a verdadeira grandeza no Reino está em servir e em dar a vida.
A profecia de Cristo cumpriu-se: Tiago foi o primeiro dos Apóstolos a derramar o sangue pelo Evangelho. "O rei Herodes mandou matar à espada Tiago, irmão de João" (Atos 12,2). Assim, ele bebeu plenamente o cálice do Senhor, selando com o martírio o seu testemunho. Na história da Igreja, sua figura recorda que seguir Cristo de perto é também segui-Lo no caminho da cruz.
A vida de Tiago é uma palavra de esperança para os impetuosos e ambiciosos: a graça não destrói os ardores do coração, mas os purifica e os orienta para o amor. Aquele que queria o trono recebeu o cálice; aquele que pedia honra recebeu a coroa do martírio. Sua história ensina que a intimidade com Jesus, vivida na oração e na fidelidade, conduz à plena configuração com Ele, até o dom da própria vida.
