Tamar foi a nora de Judá, casada com seu filho primogênito Er. Ficando viúva e sem filhos, recebeu, segundo o costume, o segundo filho de Judá, Onã, que se recusou a suscitar descendência ao irmão e morreu; e Judá, temeroso, demorava-lhe o terceiro filho. Privada injustamente do direito à descendência — que para uma mulher de Israel era sua dignidade e seu futuro —, Tamar usou de um estratagema: disfarçada, apresentou-se a Judá e, dele, recebeu como penhor o selo, o cordão e o cajado.
Quando se descobriu grávida e foi acusada, Tamar apresentou os penhores, e o próprio Judá reconheceu publicamente: "Ela é mais justa do que eu, pois não a dei a meu filho Selá". Desse modo nasceram os gêmeos Farés e Zara. O fato de a Escritura registrar o reconhecimento de Judá não santifica todos os meios empregados, mas destaca que Tamar buscava o direito que lhe era devido. O Evangelho de Mateus inscreve Tamar na genealogia de Jesus Cristo, ao lado de outras mulheres, mostrando como Deus se serve até de histórias humanas frágeis e tortuosas para conduzir, por meio de Judá e de Davi, a linhagem do Salvador.
