Sofar, o naamatita, é o terceiro dos amigos que vieram do longe para consolar Jó em sua provação, sentando-se em silêncio sete dias e sete noites diante da magnitude de seu sofrimento. Quando finalmente falam, Sofar revela-se o mais veemente e impetuoso dos três. Convencido da rígida doutrina da retribuição, segundo a qual toda desgraça é castigo de um pecado, ele acusa Jó de ocultar culpas e chega a dizer que Deus exige dele bem menos do que sua iniquidade mereceria (Jó 11,6). Exorta o justo provado a converter-se, prometendo-lhe que então a vida brilharia de novo.
O traço mais significativo de Sofar é o seu silêncio final. Enquanto Elifaz e Bildad intervêm três vezes, Sofar não toma a palavra no terceiro ciclo de discursos, sinal eloquente de que seus argumentos se esgotaram diante da realidade desconcertante do sofrimento do inocente. No desfecho do livro, Deus repreende os três amigos por não terem falado retamente d'Ele como o fez seu servo Jó, e ordena que ofereçam sacrifício, sendo perdoados pela intercessão do próprio Jó. Sofar permanece, assim, como advertência perene contra a tentação de reduzir os mistérios de Deus a fórmulas humanas e de julgar o coração alheio a partir das aparências da desgraça.