Simeão foi o segundo filho de Jacó com Lia, nascido no contexto da formação das doze tribos de Israel (Gn 29,33). Seu nome, que evoca o verbo hebraico "ouvir", lembra a confissão de Lia de que o Senhor escutara seu sofrimento por ser menos amada. Com seu irmão Levi, Simeão protagonizou um dos episódios mais sombrios da história patriarcal: a vingança pela desonra de sua irmã Dina, violentada por Siquém. Valendo-se de um pacto de circuncisão como engano, os dois irmãos massacraram todos os homens da cidade enquanto estes ainda convalesciam, atraindo a censura de seu pai pelo derramamento de sangue e pela traição da palavra dada (Gn 34).
Na história de José, Simeão é o irmão escolhido para ficar retido como refém no Egito, garantia de que os demais voltariam trazendo Benjamim (Gn 42,24). Esse aprisionamento integra o plano providencial pelo qual José provava e reconciliava a família, conduzindo-a à salvação durante a fome. Ao abençoar seus filhos antes de morrer, Jacó não concedeu primazia a Simeão; ao contrário, repreendeu a violência que ele e Levi haviam cometido, profetizando que seriam dispersos em Israel (Gn 49,5-7). De fato, a tribo de Simeão recebeu seu território enclavado dentro de Judá e foi gradualmente absorvida, cumprindo a palavra do patriarca.
Apesar dessa dispersão, Simeão permaneceu como uma das doze tribos do povo eleito, do qual, segundo a carne, descenderia o Messias. O Apocalipse o recorda entre as tribos seladas de Israel (Ap 7,7), sinal de que mesmo a história marcada pelo pecado é assumida e redimida no plano da salvação que culmina em Cristo, o verdadeiro Filho que reconcilia os irmãos divididos.