A Serpente aparece no relato do Gênesis como o mais astuto dos animais do campo, instrumento da tentação no jardim do Éden. Dirigindo-se a Eva, distorce a palavra de Deus, primeiro exagerando a proibição e depois negando abertamente a consequência da desobediência: 'De modo nenhum morrereis.' Insinua que Deus retém algo bom dos homens, despertando neles a desconfiança e o desejo de serem 'como deuses', conhecedores do bem e do mal. Assim seduz Eva, que come do fruto e o dá a Adão, consumando-se a queda e o pecado original.
A Tradição da Igreja, iluminada por toda a Escritura, identifica essa serpente com o diabo, Satanás, o anjo decaído. O Apocalipse fala expressamente da 'antiga serpente, chamada diabo e Satanás, que seduz toda a terra', e Jesus o descreve como 'mentiroso e pai da mentira', homicida desde o princípio. A serpente não é, pois, mero animal, mas o tentador que, por inveja, arrasta a humanidade à morte.
No próprio momento da queda, contudo, ressoa a promessa da redenção. Deus diz à serpente: 'Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela; esta te ferirá a cabeça.' É o chamado Protoevangelho, o primeiro anúncio do Evangelho, no qual a Igreja contempla a vitória de Cristo, novo Adão, e de Maria, a nova Eva, sobre o demônio. A serpente derrotada no Gênesis é a mesma que Cristo vence definitivamente na Cruz.