Sara era filha de Raguel, judeu piedoso da diáspora que vivia em Ecbátana, na Média. O Livro de Tobias apresenta-a como mulher virtuosa e profundamente provada: sete vezes dada em casamento, e sete vezes vira o noivo morto pelo demônio Asmodeu antes da consumação das núpcias. Humilhada e levada quase ao desespero, ela ergue ao Céu uma oração comovente, na qual prefere a morte à desonra, mas confia-se à misericórdia de Deus.
O Senhor escuta ao mesmo tempo a oração de Sara e a de Tobit, o pai cego, e envia o arcanjo Rafael, 'remédio de Deus', para curar ambos. Conduzido pelo anjo, o jovem Tobias chega a Ecbátana e desposa Sara, sua parente, segundo a Lei. Na noite das núpcias, antes de tudo, o casal se levanta para orar juntos, proclamando que não se unem por luxúria, mas para constituir família na verdade e implorando misericórdia (Tb 8,4-9). Por essa oração casta e pela ação do anjo, o demônio é vencido e afastado.
A história de Sara e Tobias tornou-se, na Tradição e na liturgia católica, modelo do matrimônio cristão vivido na pureza, na oração e na confiança em Deus, e é frequentemente proposta nas bênçãos nupciais. Nela se anuncia que o amor conjugal, quando ordenado a Deus, é caminho de santidade e de vitória sobre o mal.
