Sambalat, o horonita, e Tobias, o amonita, foram os principais adversários de Neemias na obra de reconstrução das muralhas de Jerusalém, após o retorno do exílio na Babilônia. Governadores das regiões vizinhas, viram com hostilidade o renascimento da cidade santa, pois isso ameaçava sua influência e contrariava seus interesses. Junto com Gésen, o árabe, formaram uma frente de oposição que recorreu a todas as armas para impedir os trabalhos.
A estratégia desses inimigos percorreu uma escalada típica das obras de Deus contestadas pelos homens: primeiro o escárnio e a zombaria, perguntando se aqueles judeus enfraquecidos poderiam reerguer pedras queimadas (Ne 4,1-3); depois a intriga e a ameaça de ataque armado, que obrigou os construtores a trabalhar com uma das mãos na obra e a outra na espada; por fim, a tentativa de armadilha, convidando Neemias a um encontro para tirar-lhe a vida, e a difamação, acusando-o falsamente de querer rebelar-se contra o rei. Neemias respondeu a tudo com oração, vigilância e a célebre frase: "Realizo uma grande obra e não posso descer" (Ne 6,3). A figura de Sambalat e Tobias permanece como retrato dos que combatem o povo de Deus de fora e de dentro, e a perseverança de Neemias ensina que a confiança no Senhor, unida à prudência, vence toda oposição à edificação do que é santo.