Salomão, filho de Davi e de Betsabé, foi o terceiro rei de Israel e o último a reinar sobre o reino unido das doze tribos. Sua ascensão foi marcada por um pedido que agradou ao Senhor: convidado em sonho a pedir o que quisesse, não pediu riquezas nem vida longa, mas um coração dócil para governar e discernir o bem do mal. Deus lhe concedeu sabedoria sem igual e, por acréscimo, riqueza e glória. Sob seu reinado, Israel conheceu paz e prosperidade, e Salomão coroou a obra de seu pai construindo em Jerusalém o Templo, morada do Nome do Senhor, centro do culto de todo o povo.
A sabedoria de Salomão tornou-se proverbial, e a Tradição lhe atribui livros de sabedoria da Escritura. Reis e rainhas vinham de longe ouvi-lo, como a rainha de Sabá. Contudo, a mesma grandeza que o exaltou abriu caminho para sua ruína. Multiplicou ouro, cavalos e, sobretudo, mulheres, muitas delas estrangeiras e pagãs, contrariando os preceitos que o Senhor dera a Israel justamente para preservar o coração do rei de se desviar.
O drama de Salomão é a infidelidade da velhice. Suas mulheres estrangeiras inclinaram-lhe o coração a outros deuses, e ele chegou a erguer altares e lugares de culto a divindades pagãs como Astarte e Camos, dividindo o coração que deveria pertencer inteiramente ao Senhor. O sábio entre os sábios deixou que o afeto desordenado o cegasse, e o pecado de idolatria penetrou no próprio coração de Israel. Por isso, o Senhor anunciou que rasgaria o reino de suas mãos, deixando, por amor a Davi, apenas uma tribo à sua descendência.
A consequência veio com seu filho Roboão. Diante da dureza do jovem rei, que prometeu aumentar os fardos do povo, as tribos do norte se revoltaram sob a liderança de Jeroboão, e o reino unido se partiu: ao sul, Judá; ao norte, Israel. O cisma político logo se tornou também religioso, pois Jeroboão erigiu bezerros de ouro para que o povo não subisse a Jerusalém. Assim, a idolatria de Salomão lançou a semente amarga da divisão que marcaria a história de Israel.
A vida de Salomão é uma advertência solene: os dons mais altos não bastam sem a perseverança na fidelidade. Sabedoria, poder e até o privilégio de construir o Templo não impediram a queda de um coração dividido. A Escritura ensina que somente o verdadeiro Salomão, o Príncipe da Paz que é Cristo, edifica o Templo definitivo e reúne o povo num só reino que não se divide. A todos Salomão recorda que devemos amar a Deus de todo o coração, sem dividi-lo com os ídolos deste mundo.
