Rúben foi o filho primogênito de Jacó e de Lia, e como tal cabia-lhe por direito a primazia entre os doze irmãos, com a dupla porção da herança e a chefia da família. No episódio em que os irmãos, movidos pela inveja, conspiram para matar José, é Rúben quem intervém para salvá-lo: persuade-os a não derramar sangue, mas a lançá-lo numa cisterna vazia, com a intenção secreta de depois retirá-lo e devolvê-lo ao pai (cf. Gn 37,21-22). Quando volta e não encontra mais José, vendido entretanto aos mercadores, rasga as vestes em sinal de aflição.
Apesar desse gesto de misericórdia, Rúben perdeu a dignidade da primogenitura por causa de um grave pecado: deitou-se com Bala, concubina de seu pai, profanando o leito paterno (cf. Gn 35,22). Por isso, na bênção final que Jacó pronuncia sobre os filhos, diz a Rúben: "Tu és meu primogênito... mas, impetuoso como a água, não terás a primazia" (Gn 49,3-4). A primazia foi assim transferida, repartindo-se entre Judá (a realeza e a linhagem messiânica) e José (a dupla porção). Rúben permanece como pai de uma das doze tribos de Israel, e sua história adverte que o dom recebido de Deus exige fidelidade para não ser perdido.
