Rebeca era filha de Batuel e neta de Naor, irmão de Abraão, vivendo na região de Harã, na Mesopotâmia. Sua entrada na história da salvação se dá por um dos episódios mais belos da Providência divina: o servo de Abraão, enviado para buscar uma esposa para Isaac entre a parentela do patriarca, pede a Deus um sinal junto ao poço. Rebeca cumpre exatamente o sinal pedido, oferecendo água ao servo e a seus camelos, revelando-se mulher de notável hospitalidade, generosidade e prontidão. Reconhecida como a escolhida de Deus, deixa sua casa com a célebre resposta de fé e disponibilidade ('Irei'), tornando-se esposa de Isaac e amada por ele, que assim foi consolado da morte de sua mãe Sara.
Após longa esterilidade, Rebeca concebe gêmeos por intercessão de Isaac, e o próprio Deus lhe revela um oráculo: 'Duas nações estão em teu seio... e o mais velho servirá ao mais novo'. Mãe de Esaú e de Jacó, Rebeca guarda no coração essa palavra divina. Quando Isaac, já cego e idoso, se prepara para abençoar o primogênito Esaú, Rebeca age para que a bênção recaísse sobre Jacó, conforme o oráculo recebido. Embora seu meio tenha sido o engano, a Tradição vê na sua ação o instrumento humano pelo qual se cumpriu o desígnio eterno de Deus, que livremente escolhe os menores para confundir os fortes.
Rebeca é figura da fé que confia na palavra de Deus e da Providência que conduz a história rumo à promessa. Como esposa buscada em terra distante para o filho da promessa, a Tradição cristã a vê como tipo da Igreja e da alma fiel chamada a unir-se ao Esposo. Sua disponibilidade ecoa, de longe, o 'sim' das grandes mulheres da história da salvação, que se consuma plenamente no 'Faça-se' de Maria.
