Raquel é uma das matriarcas de Israel, filha mais nova de Labão, o arameu, e irmã de Lia. Pastora de ovelhas, ela encontra Jacó junto a um poço em Harã, quando este foge da ira de seu irmão Esaú. Jacó se apaixona imediatamente por ela e oferece-se para servir Labão sete anos a fim de desposá-la. Enganado pelo sogro, que lhe entrega Lia na noite das núpcias, Jacó precisa servir outros sete anos para finalmente unir-se à amada Raquel, totalizando catorze anos de trabalho movidos pelo amor (Gênesis 29).
Por muito tempo estéril, Raquel sofre profundamente diante da fecundidade de sua irmã Lia, em uma rivalidade dolorosa que marca a casa de Jacó. Ela clama a Deus e, enfim, o Senhor 'lembra-se de Raquel', abrindo seu ventre. Nasce José, que se tornará o salvador do Egito e da própria família, e mais tarde Benjamim. Ao dar à luz este caçula, perto de Efrata (Belém), Raquel morre no parto e ali é sepultada, erguendo Jacó uma estela sobre o seu túmulo, venerado por gerações.
Na história da salvação, Raquel é figura do amor verdadeiro e do anseio materno entregue à Providência. O profeta Jeremias a evoca chorando por seus filhos levados ao exílio (Jr 31,15), e o evangelista Mateus aplica essa imagem ao pranto das mães de Belém após o massacre dos inocentes ordenado por Herodes (Mt 2,18), ligando o túmulo de Raquel ao mistério da Encarnação que se cumpre justamente naquela região. Assim, a matriarca que morre dando a vida prefigura, de modo velado, a dor e a esperança que cercam o nascimento do Redentor.
