Raguel é um israelita piedoso da tribo de Neftali, parente de Tobit, que vivia exilado em Ecbátana, na Média, durante o cativeiro do povo de Deus. Pai de Sara, sua única filha, ele carregava a aflição de vê-la atormentada: sete maridos haviam morrido na noite das núpcias por ação do demônio Asmodeu, o que lançava sobre a família o opróbrio e a tristeza. Raguel é apresentado como homem temente a Deus, hospitaleiro e fiel observante da Lei de Moisés.
Quando o jovem Tobias chega à sua casa, guiado pelo anjo Rafael, Raguel reconhece o parentesco e, segundo a Lei que reservava a filha ao parente mais próximo, dá-lhe Sara em casamento, redigindo o contrato matrimonial. Naquela noite, pela oração dos esposos e pela intervenção do anjo, Asmodeu é afastado, e Raguel, que de madrugada já cavara uma sepultura temendo nova desgraça, transborda de alegria e bendiz a Deus por sua misericórdia, celebrando longas bodas. Sua figura, embora secundária, ilumina a beleza do matrimônio vivido na fé, na oração e na confiança na Providência que cuida das famílias fiéis.