Pôncio Pilatos foi o prefeito romano da Judeia no tempo do imperador Tibério, encarregado de governar aquela província em nome de Roma, com poder de administrar a justiça e aplicar a pena capital. É nele que recai a responsabilidade civil pela condenação de Jesus Cristo, conforme proclama a Igreja desde os tempos apostólicos no Credo: Jesus "padeceu sob Pôncio Pilatos". Quando os líderes do povo lhe entregaram Jesus, Pilatos interrogou-o e, por repetidas vezes, declarou publicamente não encontrar nele culpa alguma que justificasse a morte.
Apesar dessa convicção de inocência, Pilatos cedeu à pressão da multidão e ao temor de tumultos e de denúncias a César. Tentou ainda salvar Jesus propondo a troca por Barrabás e mandando flagelá-lo, mas, diante dos gritos por crucificação, lavou as mãos diante do povo, declarando-se inocente daquele sangue — gesto que, longe de o eximir, expôs sua covardia e sua omissão diante da justiça. Foi durante o diálogo com Pilatos que Jesus afirmou que seu Reino não é deste mundo e que viera ao mundo para dar testemunho da verdade, ao que o governador respondeu com a célebre e cética pergunta: "Que é a verdade?"
A figura de Pilatos permanece como advertência perene sobre o pecado de omissão e sobre o perigo de ceder à pressão das massas e ao próprio interesse contra a consciência. Embora reconhecesse a inocência do Justo, faltou-lhe a coragem de defendê-la, e por isso seu nome ficou inscrito para sempre na profissão de fé da Igreja, lembrando que Cristo padeceu sob uma autoridade histórica concreta, na plenitude dos tempos.
