Oseias, filho de Beeri, profetizou no reino do Norte, Israel, no século VIII a.C., em tempos de prosperidade aparente, mas de profunda infidelidade religiosa e moral. Sua mensagem é única na Escritura pelo modo como Deus a imprimiu na própria vida do profeta: por ordem divina, Oseias desposou Gômer, mulher que lhe seria infiel, e os filhos desse casamento receberam nomes carregados de sentido profético. Esse matrimônio doloroso tornou-se imagem viva do drama entre Deus e Israel: como Gômer traiu o marido, assim Israel abandonou o Senhor para correr atrás de ídolos.
E, no entanto, o coração da profecia de Oseias não é a condenação, mas o amor fiel e misericordioso de Deus, que não se cansa de chamar de volta o povo infiel. O Senhor promete reconquistar Israel como um esposo que reconduz a esposa ao deserto para falar-lhe ao coração. Daí brota a célebre palavra que Jesus mesmo citaria: "Quero misericórdia, e não sacrifício", lembrando que Deus deseja o amor verdadeiro mais do que ritos exteriores. Oseias anuncia, assim, a ternura de um Deus que é Esposo apaixonado, prefigurando o amor de Cristo, o Esposo que dá a vida pela Igreja, sua esposa, e a purifica para uni-la a si para sempre.
