Nicodemos era fariseu e membro do Sinédrio, mestre em Israel e homem de prestígio em Jerusalém. O Evangelho de João o apresenta indo ter com Jesus de noite, talvez por temor dos seus pares, reconhecendo nele um mestre vindo de Deus pelos sinais que realizava. Naquele encontro, o Senhor lhe revela o mistério do novo nascimento: é necessário nascer de novo, do alto, da água e do Espírito, para entrar no Reino de Deus. É a Nicodemos que Jesus dirige uma das maiores palavras do Evangelho, sobre Deus que tanto amou o mundo que entregou o seu Filho unigênito.
Nicodemos reaparece depois defendendo, ainda timidamente, que a Lei não condena ninguém sem antes ouvi-lo, quando os fariseus queriam condenar Jesus. Seu itinerário de fé culmina na hora da cruz: junto com José de Arimateia, traz cerca de cem libras de uma mistura de mirra e aloés e ajuda a sepultar o corpo do Senhor, envolvendo-o em panos com os aromas, segundo o costume judaico de sepultar. Aquele que viera de noite chega assim à luz da fé professada abertamente diante do Crucificado. A Tradição o venera como discípulo do Senhor.
