Neemias viveu no século V antes de Cristo, no exílio persa, onde ocupava o nobre cargo de copeiro do rei Artaxerxes, posição de grande confiança junto ao trono. Ao receber notícias do estado lamentável de Jerusalém, cujas muralhas permaneciam derrubadas e cujas portas haviam sido consumidas pelo fogo, Neemias chorou, jejuou e rezou. Movido por amor à cidade santa e por confiança em Deus, obteve do rei permissão e recursos para regressar a Judá e empreender a reconstrução, mostrando que a oração e a ação prudente caminham juntas no coração do crente.
Como governador, Neemias organizou o povo e reconstruiu as muralhas de Jerusalém em apenas cinquenta e dois dias, enfrentando a oposição e as zombarias de Sambalat, o horonita, e de Tobias, o amonita, que tentaram intimidá-lo e desviá-lo de sua missão. Trabalhando com a ferramenta numa mão e a arma na outra, o povo perseverou. Restaurada a cidade, Neemias uniu-se ao sacerdote e escriba Esdras na renovação solene da Aliança: o povo ouviu a Lei, chorou de arrependimento, celebrou a festa das Tendas e comprometeu-se de novo com a fidelidade a Deus, combatendo abusos sociais e religiosos. Neemias é assim figura do reformador zeloso, que reconstrói não só as pedras, mas a fé e a justiça, preparando o povo para a vinda do Salvador nascido da casa de Davi.
