No livro de Judite, Nabucodonosor aparece como o grande rei dos assírios que reina em Nínive, soberano poderoso e ambicioso que se ergue contra todas as nações. A narrativa apresenta-o de modo solene e simbólico: depois de derrotar Arfaxad, rei dos medos, sua arrogância não conhece limites, e ele decide submeter ao seu domínio todos os povos que se recusaram a ajudá-lo em sua guerra. Os estudiosos católicos reconhecem que o livro de Judite emprega uma composição literária com liberdade nos dados históricos e geográficos, de modo que esse Nabucodonosor não corresponde rigorosamente ao rei histórico da Babilônia, mas funciona como figura do poder humano orgulhoso que se opõe a Deus.
O traço mais grave de sua soberba é exigir que seja honrado como um deus: por meio de seu general Holofernes, ordena que todas as nações destruam seus santuários e adorem somente a ele, Nabucodonosor, como divindade única (Judite 3,8). Nisso ele se torna imagem de toda potência terrena que usurpa a glória devida unicamente ao Senhor, prefigurando os tiranos e perseguidores que ao longo da história pretendem ocupar o lugar de Deus. Contra essa pretensão blasfema, o livro mostra que o verdadeiro Deus de Israel humilha os soberbos e salva o seu povo pela mão da fraca e fiel Judite. Assim, Nabucodonosor permanece como advertência perene de que o orgulho dos poderosos é derrotado pela providência divina, antecipando a vitória de Cristo, manso e humilde, sobre os príncipes deste mundo.