Nabucodonosor II foi o grande rei do império neobabilônico, conquistador poderoso cujo reinado marcou profundamente a história de Judá. Foi ele quem sitiou e tomou Jerusalém, destruindo a cidade e o Templo de Salomão em 586 a.C., e quem deportou para a Babilônia os reis, os nobres, os sacerdotes e grande parte do povo, dando início ao doloroso período do Exílio. Nos livros proféticos, ele é instrumento nas mãos de Deus: Jeremias chega a chamá-lo 'servo' do Senhor, não por sua santidade, mas porque por meio dele Deus permitiu o castigo purificador da infidelidade de seu povo.
O Livro de Daniel apresenta um retrato mais amplo de sua figura. Diante de seus sonhos enigmáticos, especialmente o da grande estátua e o da árvore derrubada, é Daniel quem, iluminado por Deus, oferece a interpretação. Orgulhoso de sua glória, Nabucodonosor é humilhado, perde a razão e vive como animal selvagem até reconhecer que 'o Altíssimo domina sobre o reino dos homens e o concede a quem quer'. Restituído ao trono, eleva então um cântico de louvor ao Deus do céu, exemplo de como o Senhor pode dobrar até os maiores poderosos.
Nabucodonosor permanece, na história da salvação, como figura ambivalente: algoz de Jerusalém e ao mesmo tempo testemunha involuntária da soberania de Deus sobre todos os impérios. Sua trajetória ensina que nenhum poder humano é absoluto, que o orgulho conduz à queda e que o reconhecimento do verdadeiro Deus é o início da sabedoria. Para os exilados, sua história foi consolo e advertência, anunciando que mesmo na terra estrangeira o Senhor não deixava de reinar sobre a história.
