A mulher de Lot aparece no relato da destruição de Sodoma e Gomorra, cidades condenadas pela gravidade de seus pecados (Gn 19). Sobrinho de Abraão, Lot e sua família foram poupados por misericórdia de Deus, e os anjos os apressaram a fugir com uma ordem clara: "Salva a tua vida, não olhes para trás". Mas, durante a fuga, a esposa de Lot olhou para trás e tornou-se uma estátua de sal (Gn 19,26), ficando para sempre como sinal da desobediência e do coração ainda preso àquilo de que Deus mandava se afastar.
O próprio Jesus a recordou como advertência: "Lembrai-vos da mulher de Lot" (Lc 17,32), no ensinamento sobre a vigilância no dia do Filho do homem, ensinando que "quem procurar salvar a sua vida, perdê-la-á". A Tradição vê nela a figura da alma que, chamada à salvação, se deixa vencer pela nostalgia do pecado e pelo apego ao passado, perdendo a graça do livramento. Sua história permanece como solene apelo à conversão decidida, a olhar para a frente, rumo a Deus, sem voltar o coração para trás.