Moisés nasceu no Egito, de uma família da tribo de Levi, num tempo em que o faraó, temendo a multiplicação dos hebreus, ordenara a morte de todos os meninos recém-nascidos. Salvo das águas do Nilo num cesto de junco e adotado pela filha do faraó, foi criado na corte egípcia, mas conservou no coração a consciência de pertencer ao povo da promessa. Ao matar um egípcio que maltratava um hebreu, fugiu para Madiã, onde se tornou pastor e desposou Séfora. Foi ali, junto à sarça que ardia sem se consumir, que Deus o chamou, revelando o seu nome santo: 'Eu sou aquele que sou' (Ex 3,14). A partir desse encontro, Moisés tornou-se o instrumento escolhido para libertar Israel da escravidão.
Diante do faraó endurecido, Deus, pela mão de Moisés e de Arão, enviou as dez pragas sobre o Egito, manifestando seu poder sobre os falsos deuses. A décima e decisiva foi a morte dos primogênitos, da qual Israel se salvou pelo sangue do cordeiro pascal aspergido sobre as portas. Naquela noite da Páscoa, o Senhor 'passou adiante' e poupou os seus, e o povo partiu apressadamente. Perseguidos até o mar, atravessaram-no a pé enxuto quando Moisés estendeu a mão e as águas se abriram, enquanto o exército do faraó foi sepultado nas ondas. No deserto, o mesmo Deus alimentou o povo com o maná do céu e fez brotar água da rocha, sustentando-os na peregrinação rumo à terra prometida.
O ápice da missão de Moisés deu-se no monte Sinai, onde, em meio a trovões e fogo, recebeu da parte de Deus os Dez Mandamentos e selou a Aliança entre o Senhor e Israel. Enquanto Moisés permanecia no monte, porém, o povo cedeu à idolatria e fez para si um bezerro de ouro. Moisés intercedeu ardentemente, quebrou as primeiras tábuas diante do pecado e, depois, subiu novamente para receber a Lei renovada, voltando com o rosto resplandecente da glória de Deus. Por ordem divina, mandou erguer a Tenda do Encontro e a Arca da Aliança, sinais da presença do Senhor no meio do seu povo durante toda a travessia do deserto.
Moisés é o maior dos profetas do Antigo Testamento, de quem a Escritura diz que o Senhor falava 'face a face, como um homem fala a seu amigo' (Ex 33,11). Conduziu Israel por quarenta anos, mas, por não ter honrado plenamente a santidade de Deus em Meribá, não entrou na terra prometida: contemplou-a do alto do monte Nebo e ali morreu, sendo sepultado por Deus em lugar ignorado. A Tradição da Igreja vê nele uma figura luminosa de Cristo: como Moisés, Jesus é o legislador da nova Lei no Sermão da Montanha, o mediador de uma Aliança superior, e o verdadeiro libertador que conduz o povo da escravidão do pecado à liberdade dos filhos de Deus. O cordeiro pascal aponta para o Cordeiro de Deus; o maná, para a Eucaristia; a passagem do mar, para o Batismo.
A vida de Moisés ensina que a santidade nasce do encontro com Deus e da docilidade ao seu chamado, mesmo quando nos sentimos incapazes ('Quem sou eu para ir ao faraó?'). Sua intercessão pelo povo pecador, oferecendo-se em favor dos irmãos, é modelo de oração e de caridade pastoral. Que diante das nossas próprias 'sarças ardentes' aprendamos a descalçar as sandálias, reconhecer o terreno santo da presença de Deus e responder com confiança: 'Eis-me aqui, Senhor, envia-me'.
