Miriam foi a irmã mais velha de Moisés e Arão, filha de Anrão e Joquebede, da tribo de Levi, nascida no Egito durante a opressão do povo hebreu. A Escritura a recorda primeiramente como a menina vigilante que, à margem do Nilo, velou pelo cesto onde o pequeno Moisés flutuava entre os juncos; foi ela quem, com sagaz prudência, propôs à filha do faraó chamar uma ama hebreia para o menino, conseguindo assim que a própria mãe de Moisés o amamentasse. Desde cedo, portanto, Deus a colocou a serviço da salvação de seu povo.
Após a passagem do Mar Vermelho, Miriam é chamada de profetisa, sendo a primeira mulher a receber esse título nas Escrituras. Tomando o tamborim nas mãos, conduziu as mulheres de Israel em dança e cântico de louvor pela vitória do Senhor, entoando: "Cantai ao Senhor, porque fez resplandecer a sua glória". Foi figura de liderança ao lado de seus irmãos, e o profeta Miqueias a recorda entre os que Deus enviou diante de Israel. Contudo, certa vez ela e Arão murmuraram contra Moisés, e Miriam foi castigada com lepra por sete dias, sendo curada pela intercessão do próprio irmão a quem havia questionado. Morreu em Cades, no deserto de Sin, onde foi sepultada. Seu cântico de libertação ecoa, na tradição da Igreja, como prenúncio do louvor de Maria, a nova Miriam, cujo Magnificat celebra a libertação definitiva operada por Cristo.