Mica era um homem da região montanhosa de Efraim, cuja história, narrada no Livro dos Juízes, ilustra a profunda decadência religiosa de Israel no tempo em que "não havia rei" e cada um fazia o que parecia reto a seus próprios olhos. Tendo restituído à mãe uma quantia de prata que dela tirara, ela consagrou parte do dinheiro à fundição de uma imagem e de um ídolo; Mica instalou em sua casa um santuário particular, fez um éfod e ídolos domésticos (os terafim) e consagrou um de seus filhos como sacerdote. Mais tarde, contratou um jovem levita itinerante de Belém de Judá para servir-lhe de sacerdote, julgando assim garantir a bênção do Senhor por meios que, na verdade, violavam a Lei.
Esse culto irregular foi depois arrebatado pelos homens da tribo de Dã, que, em sua migração, levaram consigo as imagens e o próprio levita, estabelecendo em Dã um santuário idolátrico que perdurou por muitas gerações. O episódio de Mica revela o sincretismo e a confusão de uma fé deformada, em que o nome do Senhor era invocado, mas o coração se voltava para ídolos feitos por mãos humanas. Sua história permanece como advertência perene contra a idolatria e contra a tentação de domesticar Deus segundo a própria conveniência.