Mateus, também chamado Levi, era um publicano, isto é, um cobrador de impostos a serviço do poder romano, ofício desprezado pelos judeus por estar ligado à colaboração com o ocupante e à fama de desonestidade. Jesus o chamou enquanto ele estava sentado na coletoria, dizendo simplesmente "Segue-me"; e Mateus, deixando tudo, levantou-se e o seguiu (Mt 9,9). Esse chamado de um pecador notório provocou a murmuração dos fariseus, dando ocasião à célebre palavra do Senhor: "Não são os sãos que precisam de médico, mas os doentes; não vim chamar os justos, e sim os pecadores" (Mt 9,12-13).
Mateus passou a integrar o grupo dos Doze Apóstolos, testemunhas escolhidas para acompanhar Jesus e anunciar o Evangelho. A Tradição da Igreja, atestada desde os Padres, atribui-lhe a autoria do primeiro Evangelho, escrito sobretudo para os cristãos de origem judaica, no qual abundam as citações do Antigo Testamento para mostrar que Jesus é o Messias prometido, filho de Davi e filho de Abraão. Venerado como evangelista e mártir, Mateus é exemplo da conversão radical: aquele que vivia do dinheiro injusto tornou-se instrumento da Palavra que conduz à salvação, testemunhando que a graça de Cristo alcança e transforma até os mais afastados.