Na visão do Apocalipse, ao abrir-se o quinto selo, o apóstolo João contempla "debaixo do altar as almas dos que foram imolados por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que mantinham" (Ap 6,9). Esses mártires representam todos os que, ao longo da história, derramaram o próprio sangue por fidelidade ao Senhor. Estão sob o altar celeste, imagem profundamente eucarística: como o sangue das vítimas se derramava ao pé do altar do Templo, assim as testemunhas de Cristo unem seu sacrifício ao do Cordeiro imolado. Eles clamam em alta voz: "Até quando, ó Senhor santo e verdadeiro, não fareis justiça?" (Ap 6,10), não por vingança, mas anseio pelo triunfo definitivo do Reino.
Em resposta, recebem cada um uma veste branca, sinal da vitória, da pureza conquistada no sangue do Cordeiro e da glória dos santos (cf. Ap 7,14). É-lhes pedido que repousem ainda um pouco, até que se complete o número dos seus irmãos que também haverão de ser mortos. Os mártires sob o altar prefiguram e participam do martírio de Cristo, o primeiro e perfeito Mártir, cujo testemunho ao Pai se selou na Cruz. Sua paciência confiante ensina que a justiça de Deus, embora pareça tardar, é certa, e que o sangue dos mártires é semente de cristãos e penhor da ressurreição.