Maria de Nazaré, filha da estirpe de Davi, é a Virgem escolhida desde toda a eternidade para ser a Mãe do Filho de Deus. Saudada pelo anjo Gabriel como "cheia de graça", deu o seu "sim" (o "fiat") que abriu as portas da Encarnação: "Faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1,38). Concebeu pelo poder do Espírito Santo, permanecendo Virgem, e gerou Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Acompanhou toda a vida do Filho, de Belém ao Calvário, onde, ao pé da cruz, recebeu de Jesus a maternidade sobre o discípulo amado e, nele, sobre toda a Igreja: "Eis aí a tua mãe" (Jo 19,27).
Depois da Ascensão do Senhor, Maria não se afastou da comunidade nascente. Reunida no Cenáculo com os Apóstolos, com as mulheres e com os irmãos de Jesus, ela perseverava "unânime na oração" (At 1,14), aguardando a promessa do Pai. Quando o Espírito Santo desceu sobre os discípulos em Pentecostes, Maria estava ali, no coração da Igreja que então nascia. Aquela que já fora cumulada do Espírito na Anunciação é agora a oração materna que envolve o início da missão da Igreja, como Mãe que vela sobre os primeiros passos dos filhos de seu Filho.
A Tradição da Igreja contempla Maria como Mãe da Igreja, título proclamado solenemente, e como modelo perfeito de fé, esperança e caridade. Assunta ao Céu em corpo e alma, ela é a primeira dos redimidos, sinal de esperança segura para o Povo de Deus a caminho. Tudo nela aponta para Cristo: sua glória é inteiramente recebida do Filho, e seu papel não obscurece, mas serve à única mediação de Jesus, conduzindo sempre os fiéis a Ele: "Fazei tudo o que Ele vos disser" (Jo 2,5).
