Maria Madalena, isto é, Maria de Magdala, era uma mulher natural da cidade de Magdala, às margens do mar da Galileia. Os Evangelhos a apresentam entre as mulheres que seguiam Jesus e o serviam com seus bens, mencionando que dela haviam saído sete demônios (Lc 8,2). Tocada e libertada pela misericórdia do Senhor, tornou-se uma de suas discípulas mais fiéis, acompanhando-o em sua missão na Galileia e até Jerusalém.
A fidelidade de Maria Madalena resplandece sobretudo na hora da Paixão. Enquanto muitos fugiram, ela permaneceu junto à cruz, ao lado da Mãe de Jesus e de outras mulheres, no Calvário (Jo 19,25). Acompanhou de perto a sepultura do Senhor e observou onde o corpo foi depositado. Não abandonou Jesus nem na morte: ao raiar do primeiro dia da semana, foi ela quem se dirigiu ao túmulo, levando aromas para ungir o corpo, movida por um amor que a morte não conseguira apagar.
No jardim, encontrou o sepulcro vazio e, em pranto, julgou que haviam levado o corpo do Senhor. Então o Ressuscitado lhe apareceu, e ela o reconheceu quando ele a chamou pelo nome: 'Maria!' Ela exclamou: 'Rabôni!', que quer dizer Mestre (Jo 20,16). Jesus a enviou então aos discípulos com a primeira proclamação da Ressurreição: 'Vai aos meus irmãos e dize-lhes que subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus' (Jo 20,17). Por ter sido a primeira testemunha do Senhor ressuscitado e a enviada a anunciá-lo aos próprios apóstolos, a Tradição da Igreja a venera como 'apóstola dos apóstolos'.
Na história da salvação, Maria Madalena ocupa um lugar singular. Assim como por uma mulher entrou no mundo o anúncio da queda, por uma mulher é anunciada a vitória da Vida sobre a morte. Seu encontro com o Ressuscitado no jardim evoca, na leitura dos Padres, um novo jardim, em que se desfaz a tristeza do Éden, e mostra que o amor perseverante é recompensado com o reconhecimento do Senhor vivo. Ela representa a Igreja que, fiel até a cruz, é a primeira a anunciar Cristo ressuscitado ao mundo.
Maria Madalena ensina-nos que o amor fiel não desiste, mesmo diante do túmulo e da aparente derrota. Convida-nos a procurar o Senhor com perseverança, a deixarmo-nos chamar por ele pelo nome e a tornarmo-nos, como ela, anunciadores da alegria pascal. De pecadora libertada a apóstola da Ressurreição, sua vida é testemunho de que a misericórdia de Cristo transforma e envia em missão.
