Maria de Betânia era uma mulher da pequena aldeia de Betânia, situada nas encostas do monte das Oliveiras, perto de Jerusalém. Vivia com sua irmã Marta e seu irmão Lázaro, formando uma família que acolhia Jesus em sua casa e a quem o Senhor amava de modo especial, como o Evangelho declara: 'Ora, Jesus amava Marta, sua irmã e Lázaro' (Jo 11,5). Nesse lar amigo, o Mestre encontrava repouso e hospitalidade em suas idas a Jerusalém.
O Evangelho de Lucas nos apresenta a cena que se tornou emblemática: enquanto Marta se ocupava com os muitos afazeres do serviço, Maria sentou-se aos pés do Senhor para ouvir a sua palavra. Quando Marta se queixou, Jesus respondeu com ternura e firmeza: 'Marta, Marta, andas inquieta e te preocupas com muitas coisas; entretanto, uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada' (Lc 10,38-42). Maria torna-se assim, na Tradição, a imagem da alma contemplativa que reconhece na escuta da Palavra de Deus o bem supremo.
No Evangelho de João, Maria aparece de novo no momento da morte de seu irmão Lázaro. Ela vai ao encontro de Jesus e, lançando-se a seus pés, exprime sua dor e sua fé: 'Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido' (Jo 11,32). Comovido com o pranto dela e dos que a acompanhavam, Jesus chora e em seguida ressuscita Lázaro, antecipando o sinal de sua própria vitória sobre a morte. Pouco depois, durante um banquete em Betânia, Maria toma uma libra de nardo puro, de grande valor, unge os pés de Jesus e os enxuga com seus cabelos, enchendo a casa com a fragrância do perfume (Jo 12,1-8). Diante das críticas, Jesus a defende, dizendo que ela guardou aquele gesto para o dia de sua sepultura.
O gesto de Maria de Betânia possui profundo significado na história da salvação: ela unge antecipadamente o corpo de Cristo para a sua Paixão e morte, reconhecendo nele o Ungido, o Messias. Sua atitude de prostração aos pés do Senhor e de doação generosa do que tinha de mais precioso prefigura a entrega total que a Igreja deve fazer de si mesma a Cristo. A 'melhor parte' que ela escolheu é a primazia da relação amorosa com Deus, da qual brota todo serviço autêntico.
Maria de Betânia ensina-nos que, antes de fazer muitas coisas para Deus, é preciso primeiro estar com Deus, sentando-nos aos pés do Senhor para ouvir a sua Palavra. Ensina-nos também a não medir esforços nem reservar o melhor de nós para Cristo, derramando, como o nardo precioso, a nossa vida em adoração e amor. Na escuta orante e na generosidade do dom de si está o segredo da vida cristã.
