Maria é a humilde virgem de Nazaré, da casa de Davi, desposada com José, o carpinteiro. Ao ser visitada pelo anjo Gabriel, foi saudada como "cheia de graça" e ouviu o anúncio de que conceberia, pelo poder do Espírito Santo, o Filho do Altíssimo (Lucas 1,28-35). Sua resposta livre e total, "Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lucas 1,38), abriu à humanidade as portas da redenção. Por esse "sim", o Verbo se fez carne em seu seio, e ela tornou-se verdadeiramente Mãe de Deus.
Visitando sua parenta Isabel, Maria entoou o Magnificat, cântico em que sua alma engrandece o Senhor e exalta a misericórdia que se estende de geração em geração (Lucas 1,46-55). Deu à luz Jesus em Belém, apresentou-o no Templo, onde Simeão profetizou que uma espada lhe atravessaria a alma, e o guardou junto de José na fuga para o Egito e na vida oculta de Nazaré. "Maria guardava todas estas coisas, meditando-as em seu coração" (Lucas 2,19), tornando-se modelo de quem acolhe e contempla a Palavra de Deus.
Nas bodas de Caná, sua intercessão antecipou a hora de Jesus, e sua palavra permanece um conselho perene: "Fazei tudo o que ele vos disser" (João 2,5). Fiel até o fim, esteve de pé ao pé da cruz, unindo seu coração de Mãe ao sacrifício do Filho. Ali Jesus a confiou ao discípulo amado: "Mulher, eis aí o teu filho", e ao discípulo: "Eis aí a tua mãe" (João 19,26-27), constituindo-a Mãe de toda a Igreja. Depois da ressurreição, perseverava com os Apóstolos em oração, no Cenáculo, à espera do Espírito Santo (Atos 1,14).
A Tradição da Igreja contempla Maria como a Nova Eva: enquanto a primeira mulher, pela desobediência, cooperou para a queda, Maria, pela obediência da fé, cooperou para a salvação, dando ao mundo o Autor da vida. É a Arca da Nova Aliança, que carregou em si o próprio Deus; é a Filha de Sião e a imagem perfeita da Igreja, virgem e mãe. Sua maternidade divina e sua fidelidade fazem dela a primeira e a mais perfeita dos discípulos.
Maria ensina o caminho mais seguro para Cristo: a confiança humilde, a obediência amorosa e a perseverança na fé mesmo na hora da cruz. Acolhê-la como Mãe, como fez o discípulo amado que "a recebeu em sua casa", é deixar-se conduzir por ela a Jesus. Quem reza com Maria e como Maria aprende a dizer, em cada circunstância da vida, o seu próprio "faça-se em mim segundo a tua palavra".
