Manassés foi rei de Judá, filho e sucessor do piedoso rei Ezequias, e reinou em Jerusalém por longos cinquenta e cinco anos, no século VII a.C. A Escritura o apresenta como o mais ímpio dos reis de Judá: reconstruiu os altares idólatras que o pai havia destruído, erigiu imagens a Baal e a Astarte, profanou o Templo do Senhor com cultos pagãos, recorreu à adivinhação e à magia, e chegou a sacrificar os próprios filhos. Diz o texto sagrado que ele encheu Jerusalém de sangue inocente, induzindo o povo a fazer o mal mais do que as nações que o Senhor expulsara da terra.
Na narrativa dos livros das Crônicas, porém, brilha a misericórdia divina: como castigo, Manassés foi capturado pelos assírios, atado com correntes e levado prisioneiro para a Babilônia. Ali, na angústia do cativeiro, humilhou-se profundamente diante do Deus de seus pais, suplicou perdão e foi ouvido. Reconduzido ao trono, Manassés removeu os ídolos, restaurou o culto ao verdadeiro Deus e exortou Judá a servi-Lo. Sua conversão tornou-se, na piedade cristã, sinal eloquente de que nenhum pecador, por mais grave que seja sua culpa, está fora do alcance do perdão de Deus quando se converte de coração contrito. A tradição lhe associa a célebre "Oração de Manassés", belo cântico penitencial.