Lot era filho de Harã e, portanto, sobrinho de Abraão, a quem acompanhou desde Ur dos caldeus e Harã até a terra de Canaã, partilhando da peregrinação de fé do patriarca. À medida que os rebanhos de ambos se multiplicavam, a terra já não bastava para conter os dois, e surgiram desavenças entre seus pastores. Com generosidade, Abraão ofereceu a Lot a escolha da terra; este, atraído pela aparência fértil da planície do Jordão, escolheu as proximidades de Sodoma, cidade célebre por sua grave perversão. Mais tarde, quando reis inimigos saquearam Sodoma e levaram Lot cativo, foi o próprio Abraão quem o resgatou com seus homens.
A história de Lot atinge seu ponto culminante na destruição de Sodoma e Gomorra. Em atenção à intercessão de Abraão, Deus enviou dois anjos para salvar Lot e sua família do fogo e do enxofre que consumiriam as cidades ímpias. Os anjos os instaram a fugir sem olhar para trás; a esposa de Lot, porém, desobedeceu e olhou, tornando-se uma estátua de sal. Lot refugiou-se com as filhas, e dele descenderiam os povos de Moab e Amon. A Tradição vê em Lot a imagem do justo que, conforme diz a Carta de São Pedro, sofria em sua alma reta ao ver a iniquidade ao seu redor, e o próprio Senhor Jesus evocaria os dias de Lot como advertência sobre a vinda do Reino e a necessidade de não se apegar às coisas que perecem.