Lia foi a filha mais velha de Labão, irmão de Rebeca, e habitava em Padã-Aram, na terra de seus parentes. Quando Jacó fugiu da ira de Esaú e chegou à casa de Labão, apaixonou-se por Raquel, a filha mais nova, e ofereceu-se para servir sete anos a fim de desposá-la. Na noite das núpcias, porém, Labão substituiu Raquel por Lia, e somente pela manhã Jacó percebeu o engano. Assim Lia tornou-se a primeira esposa de Jacó, embora soubesse que não era a preferida, pois a Escritura diz com franqueza que ela era "menos amada" (Gn 29,31).
No meio dessa dor, Deus voltou os olhos para Lia e a abençoou com fecundidade. Dela nasceram Rúben, Simeão, Levi e Judá, e mais tarde Issacar e Zabulon, além da filha Dina. Os nomes que ela dava a seus filhos revelam um coração que oscila entre a esperança de ser amada e o louvor a Deus: ao nascer Judá, ela exclama "Desta vez louvarei o Senhor" (Gn 29,35). Lia tornou-se, assim, mãe de seis das doze tribos de Israel, e seu corpo repousou no túmulo dos patriarcas, na caverna de Macpela, ao lado de Abraão e Isaac.
A história de Lia mostra que Deus exalta os humilhados e olha por aqueles que os homens desprezam. De seu filho Levi descende o sacerdócio de Israel, e de seu filho Judá procede a linhagem real de Davi e, segundo a carne, o próprio Jesus Cristo, o Messias. Aquela que não era a esposa amada tornou-se, pela providência divina, a raiz da estirpe de onde brotaria a salvação do mundo.
