Judas Iscariotes foi um dos Doze Apóstolos escolhidos pessoalmente por Jesus, e a ele foi confiada a bolsa comum do grupo. Os Evangelhos, porém, recordam que ele subtraía do que nela se depositava e que seu coração se foi endurecendo na avareza, a ponto de protestar contra Maria de Betânia por ungir os pés do Senhor com perfume precioso. Apesar de ter convivido com Cristo, ouvido sua pregação e testemunhado seus milagres, Judas abriu o coração ao mal: combinou com os sumos sacerdotes entregar Jesus por trinta moedas de prata — o preço de um escravo, conforme prefigurado na profecia.
Na noite da Última Ceia, mesmo recebendo do Senhor o bocado de amizade, Judas saiu para consumar a traição. No Getsêmani entregou o Mestre com um beijo, sinal de afeto pervertido em sinal de morte. Cristo, que tudo sabia, ainda assim o tratou com mansidão, chamando-o "amigo". Tomado depois de remorso e desespero, Judas devolveu as moedas, confessando "pequei, entregando sangue inocente", e foi enforcar-se. Sua queda, anunciada nas Escrituras, mostra o mistério terrível da liberdade humana que pode recusar a graça mesmo na maior proximidade de Cristo; e contrasta com Pedro, que também caiu, mas se converteu pelas lágrimas. Judas permanece como advertência perene contra a cobiça e o desespero, e como lembrança de que mesmo a maior traição foi assumida pelo Senhor na obra da Redenção.
