Jonas, filho de Amitai, era profeta de Israel, oriundo de Gat-Hefer, na Galileia. O Senhor lhe deu uma ordem inusitada: ir até Nínive, a grande e poderosa capital dos assírios, inimigos cruéis do povo de Deus, para anunciar-lhe a destruição por causa de sua maldade (Jn 1,1-2). Em vez de obedecer, Jonas fez exatamente o contrário: embarcou em um navio rumo a Társis, no extremo oposto, tentando fugir da presença do Senhor. Sua história mostra desde o início um profeta resistente, que não compreendia ainda quão larga é a misericórdia de Deus.
Durante a viagem, levantou-se uma tempestade tão violenta que ameaçava afundar o navio. Os marinheiros, lançando sortes, descobriram que a causa era Jonas, e ele mesmo reconheceu sua culpa, pedindo que o lançassem ao mar para que as águas se acalmassem (Jn 1,12). Então o Senhor preparou um grande peixe que engoliu Jonas, e ele permaneceu três dias e três noites em seu ventre (Jn 2,1). Daquele abismo, o profeta elevou uma comovente oração de confiança e gratidão, reconhecendo que a salvação vem do Senhor (Jn 2,10); e Deus ordenou ao peixe que o vomitasse em terra firme.
Chamado de novo, Jonas finalmente foi a Nínive e proclamou: "Ainda quarenta dias, e Nínive será destruída" (Jn 3,4). Surpreendentemente, toda a cidade se converteu, desde o rei até o povo mais simples: vestiram-se de saco, jejuaram e clamaram a Deus. E o Senhor, vendo a sua conversão, teve compaixão e não executou o castigo (Jn 3,10). Em vez de alegrar-se, Jonas irritou-se profundamente, pois desejava ver a queda dos inimigos. Foi então que Deus o instruiu por meio da planta que cresceu para lhe dar sombra e que depois secou: se Jonas se compadecia de uma simples planta, quanto mais Deus haveria de compadecer-se de uma grande cidade com mais de cento e vinte mil habitantes e seus animais (Jn 4,10-11). O livro termina com essa pergunta, deixando o leitor diante da imensidão da misericórdia divina.
Na história da salvação, Jonas é a figura mais clara da universalidade da salvação no Antigo Testamento: Deus não ama apenas Israel, mas todos os povos, e deseja a conversão de todos. O próprio Senhor Jesus interpretou a vida de Jonas como profecia de sua morte e ressurreição: "Como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do peixe, assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra" (Mt 12,40). Os três dias no abismo prefiguram o sepulcro de Cristo, e a saída do peixe prefigura a Ressurreição. Além disso, Jesus louvou os ninivitas que se converteram à pregação de Jonas e advertiu: "Aqui está quem é maior do que Jonas" (Mt 12,41).
A palavra espiritual de Jonas nos confronta com dois desafios: a obediência e o coração misericordioso. Quantas vezes, como ele, tentamos fugir do que Deus nos pede, e quantas vezes, mesmo cumprindo a missão, resistimos a alegrar-nos com a conversão e o perdão de quem julgávamos indigno. Jonas nos ensina que ninguém está fora do alcance da misericórdia divina, e que somos chamados a ter o coração tão largo quanto o coração de Deus.
