Joás era um israelita da tribo de Manassés, morador da pequena cidade de Ofra, no tempo dos Juízes, quando Israel ainda não tinha rei e os filhos de Israel oscilavam constantemente entre a fidelidade ao Senhor e a idolatria dos povos vizinhos. Embora pai de Gedeão, o homem que Deus escolheria para libertar o povo da opressão dos midianitas, Joás possuía em sua propriedade um altar dedicado a Baal e um poste sagrado consagrado à deusa Aserá, sinal de quanto o culto cananeu havia penetrado até no seio das famílias hebraicas.
O seu momento decisivo chegou quando Gedeão, obedecendo à ordem do Senhor, derrubou durante a noite o altar de Baal do próprio pai e ergueu em seu lugar um altar ao Deus verdadeiro. Pela manhã, os homens da cidade, indignados, exigiram que Joás entregasse o filho para ser morto. Foi então que Joás, talvez tocado por uma fé adormecida, defendeu Gedeão com sabedoria e ironia: se Baal era de fato um deus, que se defendesse a si mesmo contra quem lhe havia destruído o altar. Por isso Gedeão recebeu o sobrenome Jerubaal, ou seja, 'que Baal pleiteie contra ele'.
A figura de Joás recorda que a obra de Deus muitas vezes começa dentro de casa, exigindo a purificação dos próprios ídolos antes do envio à missão. Sua palavra desmascara a impotência dos deuses falsos e prepara o caminho para que o Senhor manifeste, por meio de Gedeão, que a salvação vem unicamente d'Ele e não da força dos homens.