João, filho de Zebedeu e irmão de Tiago Maior, era pescador da Galileia quando Jesus o chamou junto à barca de seu pai. Deixando tudo, seguiu o Senhor e tornou-se um dos doze Apóstolos. Ardente como o irmão, recebeu também o sobrenome de "filho do trovão", mas o Evangelho o apresenta sobretudo como "o discípulo que Jesus amava" (João 13,23), aquele que na última ceia reclinou a cabeça sobre o peito do Senhor, sinal de sua singular intimidade com o Mestre.
Fez parte do círculo íntimo de Pedro e Tiago, testemunha da Transfiguração e da agonia no Getsêmani. O momento mais decisivo de sua vida deu-se ao pé da cruz: enquanto os outros fugiram, João permaneceu junto de Maria. Ali Jesus lhe confiou a própria Mãe: "Eis aí a tua mãe", e "desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa" (João 19,27). Recebeu assim, em nome de toda a Igreja, o dom da maternidade espiritual de Maria.
Na manhã da Páscoa, ao ouvir o anúncio de Madalena, correu com Pedro ao sepulcro; chegando primeiro, esperou, e ao entrar "viu e creu" (João 20,8). João é, por excelência, a testemunha da fé que nasce do amor. Mais tarde, segundo a Tradição, anunciou o Evangelho na Ásia Menor e foi exilado na ilha de Patmos por causa da Palavra de Deus, onde recebeu as visões do Apocalipse, contemplando as cartas às sete Igrejas, o Cordeiro imolado e glorioso e a Nova Jerusalém, os novos céus e a nova terra (Apocalipse 21,1-2).
A tradição cristã atribui a João o quarto Evangelho, três cartas e o Apocalipse, escritos que penetram no mistério mais profundo de Cristo: o Verbo que estava no princípio junto de Deus e a revelação de que "Deus é amor" (1João 4,8). Águia entre os evangelistas, ele eleva o olhar da Igreja à divindade do Filho e ao amor trinitário. Sua teologia une de modo único o Verbo encarnado, a cruz como hora da glória e a esperança da consumação final.
João ensina que o caminho mais seguro para conhecer a Deus é amar. Quem se deixa amar por Cristo, como o discípulo que reclinou no seu peito, aprende a permanecer fiel na cruz, a acolher Maria como Mãe e a reconhecer o Senhor ressuscitado. Sua vida convida cada fiel a permanecer no amor, pois "aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele".
