João Batista nasceu de modo prodigioso, filho do sacerdote Zacarias e de Isabel, parenta de Maria, ambos já avançados em idade. Seu nascimento foi anunciado pelo anjo Gabriel no Templo, e foi predito que ele seria grande diante do Senhor e iria adiante d'Ele "com o espírito e o poder de Elias" (Lucas 1,17). Ainda no ventre materno, exultou de alegria na visitação de Maria, reconhecendo a presença do Salvador. Cresceu nos desertos, vivendo austeramente, vestido de pelos de camelo e alimentando-se de gafanhotos e mel silvestre.
Quando chegou sua hora, João apareceu na região do Jordão pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados e proclamando: "Convertei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus" (Mateus 3,2). Era a voz que clama no deserto, anunciada por Isaías: "Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas" (Mateus 3,3; Isaías 40,3). Multidões acorriam a ele, e em sua humildade ele declarava: "Eu vos batizo com água, mas vem aquele que é mais forte do que eu, a quem não sou digno de desatar a correia das sandálias" (Lucas 3,16).
O ápice de sua missão foi o encontro com Jesus. Ao vê-lo aproximar-se, apontou-O com as palavras que ecoam em toda a liturgia: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (João 1,29). Batizou-O no Jordão e contemplou o Espírito Santo descer sobre Ele. Fiel à sua identidade de precursor, resumiu toda a sua vida numa frase de profunda humildade: "É necessário que ele cresça e que eu diminua" (João 3,30). Por denunciar corajosamente a união ilícita de Herodes Antipas, foi preso e, por fim, decapitado, dando testemunho da verdade com o próprio sangue.
Na história da salvação, João é a ponte entre o Antigo e o Novo Testamento: o último e o maior dos profetas, de quem o próprio Jesus disse que "entre os nascidos de mulher não surgiu outro maior" (Mateus 11,11). Ele é o novo Elias, o amigo do Esposo que se alegra com a voz do Esposo, aquele que prepara o povo para receber o Messias. Sua figura encarna a Antiga Aliança que se inclina diante daquele que vem cumpri-la.
João ensina a alegria de não ocupar o lugar de Cristo, mas de apontá-Lo. Sua espiritualidade é a do precursor: preparar caminhos, falar a verdade sem medo e diminuir para que o Senhor cresça. Em tempo de vaidades, o Batista convida cada cristão a ser apenas voz que conduz ao Verbo, vivendo na verdade, na penitência e na fidelidade até as últimas consequências.
