Jezabel era filha de Etbaal, rei dos sidônios, princesa fenícia que se tornou rainha de Israel ao casar-se com Acabe, rei do reino do Norte. Trouxe consigo o culto idolátrico de Baal e de Aserá, levantando altares e sustentando à sua mesa centenas de profetas falsos, num esforço deliberado de suplantar a religião do Deus de Israel. Encarna na Escritura a figura da perseguidora dos profetas do Senhor, que mandou matar, forçando muitos a se esconder em cavernas.
Foi adversária direta do profeta Elias. Após o triunfo do Senhor no monte Carmelo, onde os profetas de Baal foram confundidos e mortos, Jezabel jurou tirar a vida de Elias, lançando-o em fuga até o monte Horeb. Sua maldade atinge o auge no episódio da vinha de Nabote de Jezrael: ao ver Acabe abatido porque Nabote se recusara a vender sua herança, Jezabel arquiteta um processo falso, suborna falsas testemunhas e faz com que o justo Nabote seja apedrejado, entregando a vinha ao rei.
Por esses crimes, a palavra profética de Elias anunciou um juízo terrível sobre sua casa. A sentença cumpriu-se quando Jeú, ungido rei, chegou a Jezrael: lançada da janela por seus próprios servos, Jezabel morreu, e seu corpo foi devorado pelos cães, conforme fora predito. Seu nome tornou-se, na Escritura e na Tradição, símbolo da idolatria, da sedução para o pecado e da perseguição aos servos de Deus, sendo retomado mesmo no Apocalipse como figura da falsa profecia.
