Jeroboão, filho de Nabate, era um efraimita que servira como funcionário de Salomão, posto à frente dos trabalhos forçados da casa de José. Ainda em vida de Salomão, o profeta Aías de Silo encontrou-o no caminho e, rasgando o manto novo em doze pedaços, entregou-lhe dez, anunciando que Deus arrancaria dez tribos da mão da casa de Davi por causa da idolatria de Salomão. Jeroboão fugiu para o Egito, refugiando-se junto ao faraó Sisac, e somente regressou após a morte do rei.
Quando Roboão, filho de Salomão, recusou aliviar o jugo imposto ao povo, as dez tribos do norte romperam com a casa de Davi e aclamaram Jeroboão como rei de Israel, consumando-se assim o cisma do reino. Temendo que o povo, ao subir ao Templo de Jerusalém para os sacrifícios, voltasse o coração para a casa de Davi, Jeroboão tomou uma decisão funesta: mandou fundir dois bezerros de ouro, colocando um em Betel e outro em Dã, e disse ao povo: 'Eis aqui os teus deuses, ó Israel, que te tiraram da terra do Egito.' Instituiu também sacerdotes que não eram levitas e festas de sua própria invenção.
Esse ato tornou-se conhecido como 'o pecado de Jeroboão', expressão que se repete ao longo dos livros dos Reis como medida pela qual se julgam todos os reis do norte que o seguiram nesse culto idólatra. Apesar de advertido por um homem de Deus e mesmo após o sinal do altar de Betel que se fendeu, Jeroboão não se converteu. Sua história é solene advertência sobre como o cálculo político posto acima da fidelidade a Deus corrompe gerações inteiras e prepara a ruína de um povo.
