Jefté foi um dos juízes de Israel, oriundo de Galaad, na Transjordânia. Filho de uma mulher de má fama, foi rejeitado e expulso pelos irmãos legítimos, que não lhe quiseram dar parte na herança paterna. Refugiando-se na terra de Tob, tornou-se chefe de um bando de homens valentes. Quando os amonitas ameaçaram Galaad, os mesmos anciãos que o haviam repelido vieram suplicar-lhe que os conduzisse na guerra, e Jefté aceitou ser seu chefe.
Antes da batalha, o Espírito do Senhor veio sobre ele, e Jefté fez um voto: se Deus lhe desse a vitória, ofereceria em holocausto o primeiro que saísse de sua casa ao seu encontro. Venceu retumbantemente os amonitas; mas quem saiu a recebê-lo, com tamborins e danças, foi sua única filha. O episódio é trágico e tem sido lido pela Tradição como advertência contra os votos precipitados e contaminados por usos pagãos, jamais como aprovação do sacrifício humano, sempre abominado por Deus na Lei. A jovem, com piedade admirável, pede apenas um tempo para chorar sua virgindade, e depois se submete; as filhas de Israel a recordavam anualmente. Jefté combateu ainda os efraimitas, que reconheciam pela pronúncia da palavra 'shibboleth'. Apesar de suas sombras, a Carta aos Hebreus o inclui entre os heróis da fé (Hb 11,32), por ter confiado em Deus na hora do combate.
