Jacó é o terceiro dos grandes patriarcas, filho de Isaac e Rebeca e irmão gêmeo de Esaú. Já no ventre materno os dois lutavam, e Deus revelou a Rebeca que dois povos dela nasceriam e que o mais velho serviria ao mais novo (Gn 25,23). Jacó nasceu segurando o calcanhar do irmão, e seu nome evoca essa luta pela primazia. Por meio de um prato de lentilhas, comprou de Esaú o direito de primogenitura, e mais tarde, com a astúcia de Rebeca, obteve do pai já cego a bênção destinada ao primogênito (Gn 27). Temendo a ira do irmão, fugiu para Harã, à casa de seu tio Labão.
Na fuga, em Betel, Jacó teve a célebre visão de uma escada que ligava a terra ao céu, pela qual subiam e desciam os anjos de Deus, enquanto o Senhor, no alto, renovava a ele a promessa feita a Abraão e Isaac: "em ti e em tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra" (Gn 28,14). Ao despertar, exclamou: "Verdadeiramente o Senhor está neste lugar... Esta é a casa de Deus e a porta do céu." Em Harã, Jacó serviu longos anos a Labão por amor a Raquel, casando-se com Lia e com Raquel, e delas e de suas servas teve doze filhos e uma filha; desses filhos viriam as doze tribos do povo de Israel.
De regresso à terra de Canaã, na noite junto ao vau do Jaboc, Jacó travou uma luta misteriosa com um homem até o romper da aurora. Não vencido, mas tocado na articulação da coxa, recusou-se a deixar partir o adversário sem receber a bênção. Então ouviu: "Não te chamarás mais Jacó, mas Israel, pois lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste" (Gn 32,29). Israel — "aquele que luta com Deus" — passou a coxear, marcado para sempre por aquele encontro, e chamou o lugar de Peniel, "porque vi a Deus face a face e minha vida foi poupada". No dia seguinte, reconciliou-se com Esaú num abraço de perdão.
A história de Jacó atravessa a história da salvação: dele nasce o próprio povo de Israel, e por meio de Judá, um de seus filhos, descenderá o Messias. A escada de Betel é interpretada pela Tradição como figura de Cristo, único mediador entre o céu e a terra; o próprio Jesus declarou que veríamos "os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem" (Jo 1,51). A luta no Jaboc é imagem da oração perseverante e do combate espiritual, em que o homem, ferido em sua autossuficiência, arranca de Deus a bênção pela insistência humilde.
Jacó nos ensina que Deus escreve direito por linhas tortas, conduzindo, mesmo através das fraquezas e astúcias humanas, o cumprimento de suas promessas. Sua transformação de "suplantador" em "Israel" mostra que o encontro com Deus muda o nome, o caminho e o coração. Como ele, somos chamados a não soltar a Deus na oração — "não te deixarei até que me abençoes" — e a deixar que cada luta da vida se torne lugar de bênção e de novo nome diante do Senhor.
