Ismael foi o primogênito do patriarca Abraão, nascido de Agar, a serva egípcia de Sara. Diante da longa esterilidade de Sara, esta entregou Agar a Abraão para que dela tivesse descendência, segundo os costumes da época. Assim nasceu Ismael, cujo nome significa 'Deus ouve', pois o Senhor atendeu à aflição de Agar. Embora não fosse o filho da promessa, Ismael foi objeto de uma bênção particular de Deus, que prometeu fazê-lo crescer e multiplicar, tornando-o pai de doze príncipes e de uma grande nação.
Quando nasceu Isaac, o filho da promessa nascido de Sara, surgiram tensões na casa de Abraão, e Agar com Ismael foram enviados para longe. No deserto, à beira da morte pela sede, Deus ouviu novamente o clamor do menino, abriu os olhos de Agar para um poço de água e renovou a promessa de fazer de Ismael uma grande nação. Ismael cresceu no deserto, tornou-se exímio arqueiro e habitou na região de Farã.
A Escritura registra um gesto de reconciliação tocante: por ocasião da morte de Abraão, Isaac e Ismael, os dois filhos, uniram-se para sepultar o pai na caverna de Macpela. São Paulo, na carta aos Gálatas, lê alegoricamente as duas mulheres e seus filhos como figura das duas alianças, sendo Isaac filho da liberdade e da promessa. Ainda assim, a fidelidade de Deus às suas bênçãos a Ismael mostra que a Providência divina abraça também aqueles que parecem ficar à margem do plano principal, sem que jamais sejam esquecidos por Deus.
