Isaías, filho de Amós, profetizou em Judá e em Jerusalém durante o século VIII antes de Cristo, sob os reis Ozias, Joatão, Acaz e Ezequias. Sua vocação está entre as mais grandiosas da Escritura: numa visão no Templo, contemplou o Senhor sentado num trono elevado, cercado de serafins que cantavam "Santo, Santo, Santo é o Senhor dos exércitos" (Is 6,3). Reconhecendo-se homem de lábios impuros, teve os lábios purificados por uma brasa do altar e respondeu ao chamado divino: "Eis-me aqui, envia-me". Tornou-se assim o profeta da santidade de Deus e da fé que confia inteiramente no Senhor.
A missão de Isaías desenrolou-se em tempos de grave ameaça política. Aconselhou o rei Acaz a não buscar alianças humanas, mas a confiar em Deus, e foi nesse contexto que pronunciou um dos maiores oráculos messiânicos: "Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e o seu nome será Emanuel", isto é, Deus conosco (Is 7,14). Mais tarde, junto ao rei Ezequias, sustentou Jerusalém durante o cerco assírio, anunciando que a cidade seria poupada por amor do Senhor. Sua palavra unia firmeza profética e ternura, exortando à conversão e consolando o povo.
Isaías é chamado pela Tradição o "profeta evangélico", tão claras são suas profecias sobre Cristo. Anunciou o Menino que nos é dado, sobre cujos ombros repousa o principado, e cujos nomes são "Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da Paz" (Is 9,5). Cantou o reino messiânico de paz, em que o lobo habitará com o cordeiro, e o broto que sairá do tronco de Jessé, sobre quem repousarão os dons do Espírito do Senhor.
O ápice de sua profecia são os cânticos do Servo Sofredor, que descrevem alguém desprezado e ferido por nossas culpas: "Ele foi traspassado por causa de nossos pecados; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e por suas chagas fomos curados" (Is 53,5). A Igreja sempre leu essas páginas como anúncio profético da Paixão de Jesus, que carregou os pecados de muitos e se ofereceu em silêncio como o cordeiro levado ao matadouro. Por isso, na liturgia da Semana Santa, ressoam as palavras de Isaías como retrato antecipado do Crucificado.
A mensagem de Isaías permanece atualíssima: confiar em Deus e não nas forças humanas, acolher o Emanuel que veio habitar entre nós e contemplar no Servo Sofredor o amor que nos salva. Sua resposta generosa, "Eis-me aqui, envia-me", é modelo para todo cristão chamado a anunciar o Evangelho. Isaías nos ensina que a verdadeira segurança está na fé e que a paz definitiva vem do Príncipe da Paz, no qual todas as suas profecias se cumpriram.
