Hur é uma figura do tempo do Êxodo, companheiro próximo de Moisés e de Arão durante a peregrinação de Israel pelo deserto, após a libertação do Egito. A Escritura o apresenta como um homem de confiança no círculo mais íntimo do legislador, alguém em quem Moisés depositava responsabilidade pública. Segundo a tradição judaica, recolhida também por antigos comentadores, Hur seria parente de Moisés, ligado à tribo de Judá; o que o texto sagrado afirma com certeza é o seu papel de auxiliar fiel no momento em que o povo recém-libertado enfrentava suas primeiras provações.
Seu episódio mais célebre acontece na batalha contra Amalec, em Refidim. Enquanto Josué combatia no vale, Moisés subiu ao alto do monte com o báculo de Deus nas mãos. Quando erguia os braços, Israel vencia; quando os baixava, prevalecia Amalec. Cansando-se Moisés, Arão e Hur tomaram uma pedra para que ele se sentasse e sustentaram-lhe os braços, um de cada lado, até o pôr do sol, garantindo a vitória do povo. Mais tarde, ao subir Moisés ao Sinai para receber a Lei, ele deixou Arão e Hur encarregados de cuidar do povo e de julgar as questões pendentes, sinal da estima e da confiança que merecia.
A Tradição cristã viu nesse gesto dos braços erguidos uma figura da oração de intercessão e um anúncio da Cruz: como os braços abertos de Moisés sustentados por dois homens venceram o inimigo, assim os braços de Cristo estendidos no madeiro alcançaram a vitória definitiva sobre o pecado e a morte. Hur torna-se, portanto, imagem do servo humilde cuja colaboração silenciosa torna eficaz a obra de Deus, lembrando que ninguém vence sozinho e que a missão se sustenta na comunhão e no apoio mútuo dos fiéis.
