Herodias pertence à dinastia herodiana e é figura sombria no relato da paixão de João Batista. Casada antes com Filipe, irmão de Herodes Antipas, ela uniu-se ilicitamente a este último, abandonando o primeiro marido ainda vivo, num adultério e incesto que escandalizavam a Lei judaica. João Batista, fiel à verdade, denunciou abertamente essa união, dizendo a Herodes: Não te é permitido ter a mulher de teu irmão (Mc 6,18). Por isso Herodias passou a odiar o profeta e desejava sua morte, embora Herodes o temesse e o ouvisse com perturbação, sabendo-o homem justo e santo.
A ocasião veio durante um banquete de aniversário do rei: a filha de Herodias dançou e agradou aos convidados, e Herodes, num juramento imprudente, prometeu-lhe o que pedisse. Instigada pela mãe, a jovem pediu a cabeça de João Batista numa bandeja. Assim Herodias conseguiu o que tramava, e o Precursor foi decapitado na prisão. Sua figura permanece como advertência sobre o poder corruptor do pecado obstinado, do orgulho ferido pela verdade e da vingança que se arma contra a voz dos profetas, ela que se opôs àquele que preparava os caminhos de Cristo.
