Herodes, chamado o Grande, era rei da Judeia por nomeação de Roma quando nasceu Jesus em Belém. Idumeu de origem e judeu de religião, conhecido pelas grandiosas construções — entre elas a reconstrução do Templo de Jerusalém — foi também um governante cruel e desconfiado, que não hesitou em eliminar familiares e rivais para conservar o poder. Quando os Magos do Oriente chegaram a Jerusalém perguntando pelo "rei dos judeus que acaba de nascer", Herodes turbou-se, e com ele toda a cidade; fingindo querer adorar o menino, pediu aos Magos que lhe trouxessem notícias. Advertidos por Deus em sonho, os Magos voltaram por outro caminho.
Vendo-se enganado, Herodes encheu-se de furor e ordenou o massacre de todos os meninos de até dois anos em Belém e arredores — os Santos Inocentes, venerados pela Igreja como mártires que deram a vida por Cristo sem ainda o conhecer. Mas o desígnio de Deus prevaleceu: avisado por um anjo, José fugiu para o Egito com o Menino e sua Mãe, cumprindo a profecia "do Egito chamei o meu Filho". A figura de Herodes, na história da salvação, encarna o poder terreno que teme e combate em vão o verdadeiro Rei; sua tentativa de destruir o Salvador recém-nascido prefigura a oposição do mundo a Cristo, que culminará na Cruz e será sempre vencida pela Providência divina.
