Habacuc foi um dos doze Profetas Menores, cujo ministério se situa provavelmente no fim do século VII a.C., nos anos turbulentos que antecederam a invasão da Judeia pelos caldeus (babilônios). Diferentemente de outros profetas que pregam diretamente ao povo, Habacuc dirige-se a Deus em um diálogo angustiado, levando ao Senhor a grande questão do escândalo do mal: por que o ímpio prospera enquanto o justo padece, e por que Deus permanece em silêncio diante da violência e da iniquidade.
O livro estrutura-se como uma controvérsia santa. O profeta queixa-se da injustiça em Judá; Deus responde que suscitará os caldeus como instrumento de juízo. Habacuc replica, perplexo, perguntando como Deus pode usar um povo ainda mais cruel para castigar os menos culpados. A resposta divina é uma das mais luminosas do Antigo Testamento: o Senhor pede que o profeta escreva a visão e espere com paciência, pois 'o justo viverá pela sua fé' (Hab 2,4). Essa palavra atravessa toda a história da salvação e torna-se, nas mãos de São Paulo, a chave da justificação pela fé (Rm 1,17; Gl 3,11) e fundamento da Carta aos Hebreus (Hb 10,38).
O livro culmina num cântico de confiança sublime: ainda que a figueira não floresça e não haja fruto nas vinhes, o profeta exulta no Senhor, sua salvação. Habacuc ensina que a fé não suprime o mistério da dor, mas o sustenta na esperança. A tradição cristã viu nesse aguardar fiel uma figura da espera do Messias; e o episódio em que o profeta é arrebatado por um anjo para levar alimento a Daniel na cova dos leões (Dn 14,33-39, no acréscimo grego) une as duas figuras como testemunhas da providência divina sobre os justos provados.