Godolias, filho de Aicam e neto de Safã, pertencia a uma família de escribas leais ao profeta Jeremias e fiéis à causa da submissão a Deus mesmo em tempos de catástrofe. Após a destruição de Jerusalém e a deportação do povo, em 587 a.C., o rei Nabucodonosor o nomeou governador sobre os pobres e os camponeses que restaram na terra de Judá, com sede em Mispá. Godolias procurou reconstruir a vida comunitária, exortando o povo a servir o rei da Babilônia e a permanecer pacificamente na terra, prometendo segurança a todos os que voltassem do refúgio (Jr 40,9-10).
Seu breve governo terminou tragicamente. Ismael, filho de Netanias, da estirpe real e movido por ciúme dinástico e instigação estrangeira, traiu a confiança de Godolias e o assassinou à mesa, junto com os judeus e soldados babilônios que estavam com ele. Esse crime mergulhou o resto do povo no medo e provocou uma nova fuga para o Egito, contra a vontade de Deus expressa por Jeremias. A memória desse assassinato ficou tão marcada que o judaísmo posterior instituiu um jejum (o jejum de Godolias) em sua lembrança, recordando que com sua morte se apagou a última centelha de governo próprio em Judá antes do exílio.