Gedeão, filho de Joás, era da tribo de Manassés, da cidade de Ofra, e pertencia à família de Abiezer. Vivia em tempos sombrios, quando Israel, por sua infidelidade, fora entregue à opressão dos madianitas, que durante sete anos saqueavam as colheitas e empobreciam o povo. O Anjo do Senhor encontrou Gedeão justamente quando ele debulhava trigo escondido num lagar, por medo dos inimigos, e o saudou de modo surpreendente: 'O Senhor está contigo, homem valente!' (Jz 6,12). Gedeão, consciente de sua pequenez, respondeu que sua família era a mais humilde de Manassés e que ele era o menor na casa de seu pai.
O primeiro ato de sua missão foi a purificação da própria casa e cidade: por ordem de Deus, derrubou de noite o altar de Baal que pertencia a seu pai e cortou o poste sagrado de Aserá, erguendo no lugar um altar ao Senhor. Por isso recebeu o nome de Jerubaal, 'que Baal se defenda contra ele'. Antes de combater, Gedeão pediu sinais para confirmar a vontade divina, e Deus, com paciência, atendeu-o pelo prodígio do velo de lã ora molhado de orvalho sobre a terra seca, ora seco sobre a terra molhada, fortalecendo assim a fé do escolhido.
Quando se reuniu para a batalha, Gedeão contava com trinta e dois mil homens, mas o Senhor disse que eram muitos, 'para que Israel não se glorie contra mim, dizendo: foi a minha própria mão que me salvou'. Por sucessivas provas, o exército foi reduzido a apenas trezentos homens. Com eles, munidos de trombetas, cântaros e tochas escondidas, Gedeão atacou de noite o vasto acampamento de Madiã. Ao som das trombetas e ao brilho súbito das tochas, espalhou-se o pânico, e os inimigos voltaram as armas uns contra os outros, sendo postos em fuga. A vitória foi assim claramente obra de Deus, e não da força humana.
Após a libertação, os israelitas quiseram fazer de Gedeão e de seus descendentes reis hereditários, mas ele recusou com palavras memoráveis: 'Não serei eu que reinarei sobre vós, nem meu filho; o Senhor é que reinará sobre vós' (Jz 8,23). Nisso Gedeão reconhece que a realeza pertence somente a Deus, antecipando a verdade que se cumpre plenamente em Cristo, o Rei eterno. Sua estratégia de vencer não pela multidão, mas por um pequeno resto fiel, prefigura o modo de Deus agir na história da salvação, escolhendo o que é fraco para confundir o que é forte, como recorda São Paulo. A Carta aos Hebreus o inclui entre os heróis da fé.
A história de Gedeão é consolo para quem se julga pequeno e incapaz. Deus não chama os fortes, mas torna fortes os que chama; não conta com nossos números nem com nossos recursos, mas com nossa confiança. Quando reconhecemos nossa fraqueza e deixamos a vitória nas mãos do Senhor, então a glória é toda d'Ele. Que saibamos, como Gedeão, derrubar primeiro os ídolos do nosso próprio coração antes de combater os inimigos de fora.
