Fineias foi filho do sacerdote Eleazar e neto de Arão, pertencendo, portanto, à linhagem sacerdotal escolhida por Deus para servir no santuário de Israel. Sua atuação se dá durante a peregrinação pelo deserto, mais precisamente nas planícies de Moabe, quando o povo se deixou seduzir pelas filhas de Moabe e de Midiã, prostituindo-se com elas e participando dos sacrifícios ao deus Baal-Peor. Esse pecado de idolatria e impureza atraiu a ira divina, e uma praga começou a devastar o acampamento.
No auge dessa crise, quando um israelita ousou trazer publicamente uma mulher midianita à vista de Moisés e de toda a assembleia que chorava à entrada da Tenda do Encontro, Fineias levantou-se, tomou de uma lança e, entrando na tenda, traspassou o homem e a mulher. Seu gesto não foi fruto de violência cega, mas de zelo ardente pela santidade de Deus e pela aliança. Imediatamente a praga cessou, depois de ter ceifado vinte e quatro mil pessoas. Por causa desse zelo, o Senhor concedeu a Fineias e à sua descendência uma aliança de paz e de sacerdócio perpétuo, declarando que ele havia 'feito expiação pelos filhos de Israel'.
A figura de Fineias atravessa toda a Tradição como modelo do zelo santo que coopera com a misericórdia de Deus. O Salmo 106 recorda que isso lhe 'foi imputado como justiça, de geração em geração, para sempre', linguagem que ecoa a justiça atribuída a Abraão pela fé. Sua intercessão que detém o castigo prefigura, ainda que de longe, a obra de Cristo, único e eterno Sacerdote, que pela oferta de si mesmo na Cruz aplaca definitivamente a ira divina e reconcilia o povo com Deus.
