Filipe, o diácono (a não confundir com o apóstolo Filipe), foi um dos sete homens cheios do Espírito Santo e de sabedoria escolhidos pela comunidade de Jerusalém e ordenados pelos Apóstolos pela imposição das mãos, para servir às mesas e cuidar da distribuição justa aos necessitados, especialmente às viúvas dos helenistas (At 6,1-6). Esse ato é venerado pela Tradição como origem do ministério diaconal. Logo Filipe se revelou também grande evangelista: após o martírio de Estêvão e a dispersão dos cristãos, desceu à Samaria, onde pregou Cristo, operou sinais e levou multidões à fé, sendo depois confirmados pelos Apóstolos Pedro e João, que lhes impuseram as mãos para que recebessem o Espírito Santo — episódio em que Pedro repreende severamente Simão Mago.
Guiado por um anjo e pelo Espírito, Filipe encontrou na estrada de Gaza o eunuco etíope, alto funcionário da rainha Candace, que lia o profeta Isaías sem o compreender. Partindo daquela passagem do Servo Sofredor, Filipe lhe anunciou Jesus e o batizou nas águas, levando assim o Evangelho rumo aos confins da terra. Arrebatado pelo Espírito, continuou evangelizando as cidades até Cesareia, onde anos depois hospedaria o apóstolo Paulo, sendo então chamado "o evangelista", pai de quatro filhas profetisas (At 21,8-9). Filipe encarna a passagem do Evangelho para além de Jerusalém e mostra que o serviço da caridade e o anúncio da Palavra caminham juntos no coração da Igreja nascente.